sábado, 5 de maio de 2012

Identidade Silva



Os olhos do pai diziam: "Como é bonito! Como é bonito! Parece que todo o ouro do pobre mundo veio parar nessas paredes." Os olhos do menino: "Como é bonito, como é bonito, mas é uma casa onde só entra gente que não é como nós." Quanto aos olhos do menor, estavam fascinados demais para exprimir outra coisa que não uma alegria estúpida e profunda.
                                                                                              XXVI. Os olhos dos pobres

Apesar da temperatura acima de 30 graus Celsius, e da umidade que lhe fazia sentir um incomodo em cada poro do seu corpo, se vestia de forma clássica. Uma camisa social branca, calças  azul, sapato de couro negro de bico fino, além disso usava um cinto de couro marrom e uma gravata fina ao molde italiano, muito justo. Sentado em uma poltrona lia as ficiones de Borges; Ao lado em um criado mudo uma pilha de livros das quais podemos indicar um exemplar de Inocência do Visconde de Taunay, Dom Casmurro de Machado de Assis, além desses dois exemplares uma versão traduzida em português brasileiro de J.-K. Huysmans, Às avessas.  Talvez este último livro tenha significância para nosso personagem.
                A começar por seu nome João Divino Silva. Pela suas origens de ameríndio, afro-americano e português desterrado. Queria ter sangue irlandês, escocês, ou ao menos ter uma eugenia aristocrática Bourbon. Desejava um nome literário, como Goethe, Flaubert ou Proust, ser peça única universal com seu nome, suas origens, origens que dizem muita coisa, que transformam um nome comum como Borges em sua ascendência militar hispânica criolla e Inglesa em algo superior. Silva, apenas Silva. Nascido em um país de 200 milhões de Silva. Divino então só lhe recobrava sua infância medíocre de classe média baixa em um bairro comum de sua cidade nos tristes trópicos; Divino de fato era seu pai, um pequeno comerciante. Podia ser ele um Barão, Barão de Toulouse , ser ele assim um aleijado como Toulouse-Lautrec não faria diferença alguma. Sendo de classe média ainda aceitaria até mesmo nascer como um Roth , Bellow ou Lewis em um subúrbio americano de classe média, que apesar de sendo assim médio, possui uma literalidade própria.
                Todo dia para superar esse seu desejo de ser parte de algo literariamente superior, se vestia de melhor forma possível, mesmo ao calor típico dessa região do continente. Roupas sociais justas, cachimbo, livros em baixo do braço. Queria transcender a mediocridade. Construiu uma biblioteca particular com toda literatura que lhe parecesse aticista. Pensava ser um Pessoa em meio à barbárie Voltairiana, pensava até mesmo usar um leve sotaque Frances como Córtazar, ainda que nunca tenha ido morar fora, nem tenha qualquer parentesco frances.
Se tornou professor titular de Literatura Francesa da Universidade local.  Pedia claramente aos alunos. Chamem-me de Professor Divino Santos, ou Doutor Divino Santos. Se alguém o chamava de Divino, Santos ou João , mesmo que um colega professor, abominava, regredia. Queria ser um T.S. Eliot. Defendia abertamente valores compreendidos como reacionários. Ainda que dissesse ser um republicano, agnóstico,era tido contudo como alguém muito polido, em demasia; Vivemos no Brasil, não na Europa. diziam-lhe ser eurocêntrico. Divino Silva apenas se portava em concorrência com seus pensamentos de classicismo, de uma elevação que agora na modernidade se parecia perdida, ainda que possível alcançar pela hermenêutica diária. Queria apenas fugir de toda mediocridade, da pecha de ser um mestiço em um trópico qualquer. Queria a beleza robusta da Europa. Beber seus vinhos, usar suas roupas, e o principal, ter a postura de um Franco , Germânico ou Saxão!
                Assim sentado em sua poltrona pensava, pensava como Policarpo Quaresma reformador louco da nação; Que grande séria se assumissem todos um dia ao acordar uma postura clássica, se fossem em peso as bibliotecas, as livrarias para pegarem livros de Camões, Dante ou quem sabe até mesmo Schlegel dando alguma estética as praticas cristãs no país. Pensava em pessoas como ele no pais, cultas e educadas, que se respeitassem, que se encontrassem em fim do dia em cafés, discutindo grande arte entre um café e licor. Em que parecem de exibir seus corpos de forma desnecessária, ou andar de forma maltrapilha. Pensava ir à praia tomar Champagne como estivesse em um quadro de Monet ou em livro passado na riviera francesa de Fitzgerald. Tudo lhe cansava neste país. Muitos diziam na Universidade, porque não vá embora, vá viver lá na frança, leia seu Mallarmé em meio aos tísicos bichonas europeus; Sentia-se contudo um desejo de permanecer aqui, civilizar como um jesuíta estas pobres pessoas. Era preciso superar este estágio de civilização atual, o popularesco, o degenerativo, a luz e os gestos desmedidos, mostrar aos concidadãos a beleza que o mundo pode transpor a quem busca a verdade.
                Sua adolescência foi dificílima, conheceu a literatura por acaso, não se recordando o porque, sem dúvida não foi nem em sua casa, onde a cultura era paupérrima, nem mesmo na escola, onde os professores eram tecnocratas. De qualquer modo leu por acaso Dumas, Os três mosqueteiros. Lá ele viu um mundo em que a honra, a coragem, o senso estético estava acima do “ir vivendo”. Leu Balzac, Stendhal, leu Baudaliere, Rimbaud, quis por fim aprender o idioma de Molière. Leu Iluministas, literatura moderna, filosofia existencialista. Fez birra com a geração Nouvelle Romance; Como em um labirinto, foi abrindo portas, os ingleses vitorianos, Dickens, Wilde, Lord Byron. Os românticos como Wordsworth. Lendo essa poesia se encontrou com Alemães, força, polidez, determinação! Goethe, Kant, Hegel, Mann, Schiller, Lassing, E.T.A Hoffmann. Eichenforff. Passaria a tarde falando sobre estes prussianos e Alemães modernos! De lá foi um paço para os Russos, Poloneses, escandinavos! Amava a Europa, a verdadeira Europa das Grandes capitais, as médias cidades culturais que possuíam em seu intimo um Magnos Opus, onde nomes, ruas pessoas tudo era belo, mesmo o mais vulgar como um clochard nas ruas de Paris.  Foi o aluno brilhante, ainda que tenha tido seus anos universitários de crises existenciais, sempre buscou o farol da temperança.
                Com as mulheres nunca foi bom, nem com amigos, preferiu se afastar de todos que não tivessem a seu ver o modo ideal para compatibilizar com seus pensamentos. Como dito saiu logo de casa sem dizer adeus aos pais. Arrumou um apartamento no centro, perto do que pensava ser o mais ideal de seu modo de vida, forrou-o de livros , quadros, discos de Beethoven, Mozart e Chopin. Estudou a fio, sem sair de sua cidade fez o mestrado e doutorado em Frances. Em um defendeu a tese da influência de Flaubert e Balzac na literatura oitocentos brasileira. No Doutorado criou um modelo interpretativo de À La Recherche Du Temps Perdu, um paralelo com a literatura que se pretendeu fazer , ou se pretende fazer e não se consegue em nosso país. Uns disseram sobre suas pesquisas que era Eugênia literária, outros um simples fascista ou mesmo esnobe, contudo por sua sorte os membros de sua mesa julgadora eram todos francófonos exaltados como ele, nota máxima. Estudou sempre com uma bolsa, sendo assim , ao terminar os estudos viu-se em uma situação econômica perigosa, ou a dar aula em escolas de ensino colegial e de línguas gerais. Qualquer outra área era quase impossível devido a insipiência cultural de onde residia.
Por ocaso, um professor do departamento, voltando de um final de semana nas montanhas recebe uma rajada de sol em seu rosto, que o faz perder o controle do veiculo despencando de um barranco de alguns metros de altura na estrada sinuosa das serras. A universidade resolve abrir um concurso emergencial para suprir esta cátedra em pleno inicio do semestre letivo, João Divino Silva se escreve e passa em primeiro lugar, discorrendo com destaque em uma questão sobre literatura comparada de Machado de Assis e Valter Hugo.

Ele lê seu livro especialmente absorto, sente-se por um momento realizado, sente-se muito só, contudo sente avec la lettre!
Nesse mesmo dia resolve de muito bom humor ir ao café perto de sua residência, vai ler alguns poemas de Baudelaire, ver pessoas, se sentir superior, Não apenas um Silva, mais talvez o único digno desse clã generoso; No meio do caminho encontra um homem que por acaso esta vestido de forma impecável como ele, segurando um livro em baixo dos braços, quase como um espelho de si próprio. Este homem pergunta as horas ao estar próximo a João Divino Silva. Ele responde “São 16:30”; Ele vê o relógio, o livro é uma caixa de onde retire um revolver, ele impele que passe o relógio, carteira e qualquer outro objeto de valor.  Exaltado por toda brutalidade e desespero o nosso personagem João Divino Silva. Prof. Dr. Divino Silva, com seu terno impecável, um personagem saído de algum romance de Proust, sofre uma inquice, solta um gemido, começa a sentir dores. Ataca o furtador; Este dispara a queima roupa contra o homem meio afeminado . Retira os objetos do corpo de nosso herói,  joga o livro longe. Divino Silva morreu, agora talvez esteja no panteão literário de ninfas e rosas com seus companheiros.


terça-feira, 1 de maio de 2012

Identidade Kétzez



Az Égből dühödt angyal dobolt
Riadót a szomoru Földre,
Legalább száz ifjú bomolt,
Legalább száz csillag lehullott,
Legalább száz párta omolt:
Különös,
Különös nyár-éjszaka volt
.
Do alto do céu um anjo enraivecido
tocou o alarme para a terra triste.
Endoidaram cem jovens pelo menos,
caíram pelo menos cem estrelas,
pelo menos cem virgens se perderam:
foi uma estranha,
estranhíssima noite de verão.
Endre Ady. Emlékezés egy nyár-éjszakára(Recordação de uma noite de verão).

Fernando Rodrigues Kétzez. 24 anos, solteiro. Filho de Mãe Portuguesa. Pai, Sr. Kétzez. Húngaro, Ateu. Kétzez filho quer ser escritor. Acorda todo dia às 8 da manhã. Sempre tem dor de cabeça e nos olhos. Fuma um cigarro. Vai ao ginásio. Na volta toma um banho, bebe chá gelado e fuma outro cigarro. Estuda idiomas. Inglês, Frances, Russo, Italiano, Húngaro, este último já fluente na idiomática. Quer ser tradutor e professor de literatura. Quer buscar suas origens. Seu pai tem medo da modernidade. É um pária em seu país estrangeiro. Não deseja contudo voltar as terras magiares; Designe, cores, gosta do diferente. Gosta do roxo. Odeia laranja. Odeia pessoas que não respeitam a si mesmo e suas origens. Odeia seu afeto as origens, gostaria de romper tudo. Todos os outros húngaros que conheceu são filhos de Judeu. Ele é um caso parte. Seu pai saiu da Hungria porque era ateu, porque não havia estudado e tinha que descarregar caminhões com caixotes de verduras vinda do interior no mercado de Buda, Em peste conheceu um poeta com nome estranho e engraçado FERNANDO PESSOA! Surpresa, Lisboa do Tejo ancestral, decidiu largar tudo – ou nada -  aos 25 e ir para a cidade da praia mais ocidental européia; Salazar é o pequeno papa local. Não existe lugar pior para um ateu, húngaro, sem instruções básicas; Resolvi ir ao Brasil, lá poderia ler Fernando Pessoa, lá havia muita terra, iria encontrar uma comunidade húngara, iria plantar a terra de dia, a noite iria ler, quem sabe terminar os estudos. A guerra estourou. Leu Drummond “Sentimento do Mundo”, não serei poeta de um mundo caduco; Leu  Florbela Espanca “Sonetos”. Chorou, Resolveu amar uma nativa, conheceu Amália, de Azinhaga, nem as paredes confessaram suas noites de amor com um calor trôpego; Casaram, em 58 Kétzez terminará o ginásio que em sua infância não pôde; Nasceu seu filho, Fernando, em homenagem a Pessoa e à sua esposa portuguesa. Para que seu filho tenha mais sorte do que nos campos vai para São Paulo; Estuda , vê seu pai sempre lendo, entretanto sabe que ele não é um intelectual; Aos 15 começa a trabalhar no escritório de um grande jornal. Aos 18 entra na universidade de letras eslavas. Começa a publicar contos anônimos no jornal como Johannes Niëf. Um redator o descobre um dia em um canto do escritório usando a maquina de um jornalista ausente. O convida para escrever nas páginas policiais; Descobre Raskólnikov de Dostoievski. Descobre também Jair Picada. O primeiro preto pobre furado por balas com o crânio sovado e os olhos para fora das orbitas; Escreve de forma apaixonada pela miséria da moral. Ninguém é tão superior assim por coisa alguma. Aos 23 se forma. Aos 25 traduz seu primeiro livro húngaro, dois anos depois em russo; Se dedica contudo ao húngaro. Aos 26 termina seu mestrado, aos 30 o doutorado. Larga o jornal para se tornar escritor e professor na Universidade. Seu pai morre aos 32, deixa como herança além de seu nome em comum, seu amor aos magiares, um baú com recordações, cadernos de apontamentos. Revive a infância pobre do pai; Seu avô Kétzez da o ensino primário, morre contudo em uma de tantas revoluções do Império Austro-Húngaro decadente. Abandona Jászapáti , então com 18 anos e vai para Budapeste. Mora em pensões, pega a gripe espanhola. Não morre, mais ao desfalecer sendo cuidado por amigos, pede um livro , fausto de Goethe. Sua vida nunca mais seria a mesma após essa intervenção. Lê muito, trabalha muito. Mais Pessoa foi à pedra angular em sua vida.
         Kétzez filho com 33 deseja conhecer o país de seu pai. Pensa nele como as rapsódias Húngaras de Liszt. Uns pais pobre, comunista, contudo muito culto e alegre. Vai para Hungria.

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Se surpreende com Budapeste. Se surpreende com o comunismo taciturno. Se surpreende com Ägota. Poetisa, romântica pelos trópicos. Kétzez diz que em sua cidade as pessoas não são tão frias, contudo são pobres almas, deitadas por militares, que ao menos os comunistas dão educação e casas, em nossa terra todos negros morrem, fala da primeira vez que viu um homem pobre morto e teve que escrever sobre aquilo; Em um mês que no inicio seriam uma semana, se casa com a poeta para que ela possa vir morar no Brasil. Faz pós-doutorado na Alemanha, é convidado para dar aula em Frankfurt. Aceita. Vai morar com sua esposa, seu filho nasce, ele já tem 38. Aos 45 resolve voltar ao Brasil, quer que seu filho sinta alguma identidade. Sua esposa morre no parto da segunda filha. Homenageia de Amália Espanca Kétzez. Seu filho se chama Carlos, por Drummond. Este aos 15 tem seu primeiro coma alcoólico. Aos 20 larga duas faculdades, uma de medicina e outra de economia. Um dia lê um poeta húngaro, Andre Ady. Diz que vai morar na Hungria, país que estava se abrindo dos anos de comunismo. Após dois anos consegue cidadania Húngara. Entra na universidade de Eotvos Lorand, no departamento de língua portuguesa. Aos 26 se forma, faz mestrado e doutorado. Conhece uma portuguesa que faz farmacologia; Ela conhece Ady, aos 30 anos eles se casam. Seu pai morre sem nunca ter visitado o filho depois de ele ter ido para Hungria. Ele chora. Le Ady, bebe a noite toda. Ele diz que sua raiz não significa nada, pois seu choro impregna a terra inteira.


Tema sugerido para leitura:


terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Cadernos do Dr. Trochakovisky [SEM CORREÇÃO GRAMATICAL]

 Noticia no jornal, descoberto em um porão de Moscou pertences do eminente Dr. Ivan Idiotoich Trochakovisky, que pensavam ter sido destruídos depois da Segunda Guerra Mundial, fenomenal desta história e o que causa tanto frisson entre historiadores, psicanalistas e antigas dançarinas de bunga bunga soviética são os diários e cartas onde se encontram relatos do tratamento do Dr. Trochakovisky com nada mais do que Tzar vermelho Joseph Stalin. Elas além de mostrar a personalidade excêntrica do ditador demonstram seu apurado senso artístico, sexual e de comando militar, que são essenciais para explicar a segunda guerra mundial e todo o século XX.

“17 de julho de 1936
O Camarada Stalin vem ao meu consultório, está preocupado com a guerra civil que surge na Espanha,  me pergunta como ele conseguirá agora o salaminho feito em Sevilha, ele relembra sua mamuska na Geórgia, começa a sapatear ,começa a  acariciar seu bigode e dizer que é Clark Gable das estepes. Recomendo que ele construa um gulag na Sibéria e mande prender todos os tocadores de oboé e seguidores de Jung. ”

Em 1938 um grande terror se espalha por toda Rússia, Stalin persegue os burocratas do partido, antes demorava-se um ano para tirar uma carteira de motorista, depois dos últimos acontecimentos é possível fazer tudo em alguns minutos e ainda ganhar um pirulito das fábricas Lênin pé-de-moleque. Neste mesmo ano temos uma vasta obra escrita pelo Dr. Trochakovisky sobre a situação de Joseph Stalin.

“23 de setembro de 1938
Neste dia frio de abril o Sr. Stalin veio ao consultório, contudo chega atrasado, coisa que nunca o fez antes, há não ser quando tive que marcar uma consulta as pressas de madrugada quando ele se fantasiou de Rainha Vitória e disse que iria dar umas palmadas no Derr Adolf Hitler, presidente-ditador-comedor de chucrutes oficial da Alemanha.
Escuto atentamente o que Sr. Stalin diz enquanto marco uma cartela da mega-sena-proletária, que esta acumulada em 2 sacos de feijão e uma viagem sem volta para um Gulag de ex-prostitutas polacas.
Sr. Stalin diz que não consegue mais suportar as pressões dos imperialistas ocidentais, ainda mais que preferem os bigodes de Hitler  ao seu, por isso assinaram um acordo secreto em que só se discutira as fronteiras soberanas mundiais e nada de bigodes. Recomendei que ele lesse o grande livro “Crepúsculo da barbixa” do grande filosofo alemão Frederich Nietzsche, assim talvez ele compreende-se o sentido do bigode histórico para alemães, entendendo assim a  psique de Hitler. “

Após um ano de perseguições e jogos políticos entramos em uma fase de agudos problemas que no final se desencadeará na segunda guerra mundial, abaixo alguns pequenos trechos que podem nós fazer melhor compreender este período conturbado da história.

“20 de Setembro de 1939
Há uma semana seguida que o Sr. Stalin vem ao meu consultório, diz que esta sendo ensaiado um grande acordo entre a Mãe Rússia e os Alemães, vulgo Pachelbels chatos.  O grande líder apresenta claramente problemas de depressão e insônia, recomendo que ele mande a mãe dele para um Gulag e depois fure seus os olhos tendo um pouco de dignidade ocidental, coisa que ele rejeita prontamente, ainda que depois de ter dito isso a ele mandou que eu deporta-se em pessoa minha mãe para um Gulag. Ao menos a teoria de Freud foi comprovada, me libertei do julgo materno e já consigo vestir minhas cuecas sozinho.

23 de Setembro de 1939
Grande dia, Sr. Stalin aparece animado, diz ter feito um belo acordo com os Alemães, eles vão dividir metade da Europa, sendo que nenhum dos dois países prometem se atacar, nem tocar Richard Wagner na fronteira da Rússia. Recomendei que ele fosse tirar férias e aproveitar seu animo, ele também me recomendou isso, agora escrevo direto do transiberiano onde fui expurgado para um Gulag em Kolima.

Aqui suas anotações se tomam sobre sua vida em um campo Gulag,seus relatos dizem que o  Dr. Trochakoviski fica preso em um Gulag no norte da Sibéria onde além de trabalhar 12 horas seguidas e perder parte de seus dedos congelados depois de tentar chupar um sorvete de graviola em pleno inverno, seu preferido, Torna-se terapeuta de Mitria Cornadovitchia , onde se apaixona após  ela indagar em sono regressivo que Schubert era um bebe chorão,  contudo meses depois ela foge da prisão o supervisor geral do campo ,no final do inverno, depois de descobrir que apenas o Dr. Trochakoviski não conseguia ter ereções independente da época do ano. Contudo ele fica pouco tempo, isto porque a guerra mundial se anuncia e Stalin manda-o chamar novamente, encontra-se em estado de depressão profunda em sua casa de campo nos arredores do Kremlin. Aqui temos mais uma anotação sobre o fato:

“23 de janeiro de 1940
Sr. Stalin encontra-se em estado de depressão profunda, a situação se agrava em decorrência da eminente guerra na Europa, ele reclama de sua vida e seus problemas, falo para ele conversar com um aluno de graduação que estude Heiddeger, sem dúvida vai perceber que sua vida não é tão ruim como pode parecer.

A guerra explode de fato na Europa no decorrer de 1940, aqui as anotações do Dr. Trochakoviski se tornam vultosas, Stalin praticamente faz consultas diárias, ele diz ter sonhos em que é perseguido por salsichões pretos enquanto tocam a cavalgada das Valquírias, em outras sonho diz que Karl Marx da palmadinhas enquanto ele promete ser mais malvado no próximo expurgo. Contudo sua situação se torna gravíssima quando os Alemães chegam as portas de Leningrado, o Dr. Trochavoski tem uma anotação chave para compreender as atitudes tomada por Stalin no conflito contra os alemães.

“20 de julho de 1942
A cidade de Stalingrado esta sitiada, inicia-se uma batalha pela cidade de acordo com os jornais, batalha que pode ser dada o nome de batalha por Stalingrado ou de Stalingrado, ou o que vier primeiro.
O Camarada Stalin se encontra furioso, recomendei que ele jogasse seus discursos de avião sobre os alemães os matando de tédio e assim derrotando os exércitos inimigos, contudo se tornou céptico, principalmente porque Hitler poderia fazer o mesmo, com o agravante que suas piadas sobre os povos oprimidos serem mais engraçadas do que as suas.

Nota-se aqui que Stalin nunca demonstrou inferioridade para ninguém, nem mesmo para a estatua feito em sua homenagem no centro de moscou que por ter 1 metro a mais foi expurgada para Sibéria tento que recolher gravetos no chão, o problema que ela sofria graves problemas nas articulações.

O humor de Stalin se torna radiante depois que ele consegue empurrar os alemães de volta para suas terras enquanto faz o exército vermelho a macarena com seus rifles.

Aqui temos umas das ultimas anotações de consulta do Dr.  Trochakovisky com Stalin, ocorre tempos depois da vitória Soviética sobre os alemães e as bombas atômicas americanas em Hiroshima e Nagasaki

“26 de Setembro de 1945
Camarada Stalin se  encontra nervoso após saber que não vai poder mais matar alemães,  o que salvou de um ataque de nervos fulminante foi saber que poderiam criar bombas que pudessem transformar toda humanidade comunista, ou seja, iguais em matéria nula.  Diz que ligou para o presidente americano Mr. Truman dizendo que presentearia  sua esposa “farta”, uma matrioshka e uma caixa de ovos siberianos se ele o deixa-se jogar umas bombinhas atômicas. Truman respondeu dizendo que aceitaria os ovos para comer com seu bacon matinal, contudo não daria bomba alguma a qualquer um que dormisse com sua mulher gorda. Assim se iniciou a guerra fria, com um bom breakfast é claro.

Após essa seção Stalin resolve usar todos psicólogos, psicanalistas e dançarinos flamencos para servirem de arados humanos na Sibéria, tristemente o Dr.  Trochakovisky foi usado como rastelo, tendo em seus últimos momentos dito que sua honra fora ferida, pois preferia ser um cortador de grama devido ao seu diploma. Seus arquivos foram então se empoeirando. Morrendo junto com Stalin a história só foi revelada agora após todos estes anos.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Livre interpretação para Blasfêmia de William Blake

Tua ira se anunciará no mundo e todos os homens, pequenos, grandes, crianças ou velhas se dilataram na tristeza imensa, na sofreguidão, nada será perdoado, esquecido , sempre vilipendiado, sempre amesquinhado. Nem uma sensação, nem um sentido perdido. Tudo será rememorado pelos séculos, à culpa, o flagelo, intempéries da alma e da boca, toda sujeira revelada, nada valerá mais a pena, nem o comboio no rio nem o lago diáfano. Tu que me revelas imprescindível, tu nada serás que um eu regozijando a perda da espontaneidade, a serenidade das palavras, você não será nada, não poderá ser nada. Séculos por séculos, dias por dias, horas por horas, o mal de teu seu, agora não é mais nada que uma algaravia perdida em algum canto da floresta do eu. Querentes os homens, ai os tens. Besta tu és, um Deus nunca, somente o anunciado. 

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Pequeno caso de John Rodriguez

Estava em um bar quase cerrando as portas, eram 5 da manhã do ano de 1947, ainda estava um breu lá fora, aqui dentro um pouco mais quente, o copo um pouco mais vazio, esperava que ela ligasse ainda que soubesse que isso não iria ocorrer esta noite, A cabeça começava a latejar com o excesso de cigarro. A marca não interessa, o que interessa que estava um turbilhão de nervos, me preparava para mais um caso, era final de primavera e já se podia sentir os primeiros ares quentes dos verões extremos dessa região do continente. Ainda que continuasse com o coração partido tinha que terminar mais um trabalho para conseguir fechar as contas do mês, o governo precisa muito da minha contribuição para mandarem seus filhos passarem férias na frias montanhas na suíça, ou qualquer outro lugar sem pobres impertinentes.
                Paguei o que devia e percebi que era hora de tomar um café é ir para casa tomar um banho, Nessa manhã, uma quinta-feira, deveria seguir a mulher do meu contratante, o Sr. Jacob Reynolds, empresário da área de construção, apesar dos ganhos tremendos conseguindo contratos com o governo, não conseguia evitar que sua própria mulher a passasse a perna. Não vou muito com a cara desses engomadinhos corruptos, contudo é preciso um idiota passando fome para aceitar certos serviços sujos. Rumei para casa, me arrumei, coloquei um paletó escuro, como todos os outros, não me importava o calor que faria de dia, É preciso sempre manter-se discreto.
                Minutos depois, cerca de 7 horas da manhã estava com o carro estacionado a alguns metros da casa da Senhora que deveria seguir, já fazia este serviço a cerca de 2 semanas, e diferentemente dos livros este trabalho não é nada emocionante, Mas eu entendo o cinema, Humphrey Bogart ficaria duas horas esperando alguém, ninguém chegaria até o fim do filme, nem o caso séria resolvido, ele também precisa pagar suas dividas e suas divas. Por sorte hoje ela foi pontual, as sete e meia já saia de casa em seu Ford modelo 1947, último modelo, Tenho que admitir que ela possuía uma beleza descomunal, e uma postura incomum nas mulheres da elite de hoje, nada vulgar, porém com uma pernas que fariam os trabalhadores de sua empresa pararem para darem uma bela assobiada e algumas cantadas baratas. Continuei-a seguindo, já sábia que as quintas ela ia ao Salão de Beleza, depois disso ela iria visitar umas amigas para o almoço onde após assistirem algum filme europeu para discutirem nessas reuniões dos figurões nas sextas a noite, e talvez no sábado, É preciso muitas festas para seus maridos admitirem sua falta de virilidade. Tudo iria ocorrendo como o previsto, foi cuidar de seu belo rosto, depois foi almoçar com umas amigas em um restaurante árabe caríssimo na zona sul da cidade. Eu ficava em meu carro fumando um cigarro e comendo um sandwiche que havia esquecido no porta malas a uns dois dias atrás. A uma e meia ela já se dirigia ao cinema como de costume, contudo perto de entrar um homem bem trajado, com um paletó cinza e grava preta usando um óculos escuro se aproximou dela, parecia ser um amigo, deram um abraço e um beijo caloroso, contudo percebi que havia alguém junto com este sujeito , sabia pela prática que quando alguém estava a espreita com outro pelas faces do seu rosto, sempre espreita, tentando dar uma de segurança de mafioso de quinta categoria, Resolvi entrar no cinema, engraçado que era uma película antiga de um filme noir que vi na adolescência e me fez escolher estupidamente esta carreira, mas não vou discutir minha vida errônea agora.  Sentei-me a um par de cadeiras afastado, percebi que ele falava algo ao seu ouvido, o que poderia ser aquilo, será que este era seu amante ou coisa que valha? No meio do filme ele saiu segurando ela pelo braço, ela se encontrava muito tranqüila, seu capanga saiu junto, fiquei triste, era cena em que a personagem de Ingrid Bergman mostraria seu poderio de persuasão. Sai do cine.
                Eles começaram a rodar pela cidade, não pareciam ter uma direção certa, pensando que talvez fossem para algum lugar deserto perto das docas abandonadas, ou em algum covil em direção as áreas rurais ao oeste, na verdade foram parar na avenida central, onde estranhamente o carro encostou-se à calçada, jogando um corpo, de longe, em meio aquele congestionamento da área central pensei que a haviam matado, desci do carro e fui correndo pensando no pior, contudo ao chegar perto do corpo jogando na calçada com uma multidão gritando encontro na verdade o capanga , pelas suas bochechas flácidas avermelhadas e seus olhos saindo pela face do rosto imaginei se tratar de estrangulamento, infelizmente o carro havia partido, voltei para meu carro, contudo eles haviam despistado,  ainda que houvesse anotado a numeração do carro, sabia que era uma placa fria. Ao voltar ao cinema para ver se encontrava o carro da Sra. Reynalds , ele já não se encontrava mais lá, achei  isso uma loucura tremenda, resolvi ir para a mansão do Sr. Reynalds e avisar sobre o acontecido, Ao tocar a companhia, falei que era eu o Detetive Rodriguez , Logo o portão se abriu, entrei e esperei na sala,  para meu espanto quem me aparece não é nada mais nada menos que a Sra. Reynolds em seu lindo vestido florido branco, ela me olha por alguns segundos e diz “O que você quer”, sou direito é digo que quero conversar com o seu marido, sobre um trabalho, ela me diz diretamente “Eu sei o que você faz, sei que anda me seguindo, se afaste agora, ou será pior , muito pior para você”, fico atônito com essa revelação, como poderia ela saber algo, sou o melhor no meu trabalho, apesar de ser um dos piores para cobrar , e sempre viver no limite do aceitável para alguém como eu. Eu disse que estava de acordo, mas antes deveria conversar com o Sr. Reynolds para receber meus ordenados, ela simplesmente tirou um bolo de notas de 100 de sua bolsa e jogou em meu colo, “Não quero saber de você por aqui, acho que isso já basta, saia agora de minha casa e de nossas vidas”. Como um bom trabalhador, peguei o dinheiro, acendi um cigarro e me despedi formalmente. Contudo isso não me cheirou nada bem, aproveitei que estava dentro de sua propriedade e resolvi ir para os fundos da casa, subi em uma trepadeira sorrateiramente até o que pareceu ser o escritório do Sr. Reynolds, vendo que estava vazio ,entrei, resolvi ver se encontrava alguma pista para saber o que estava ocorrendo, abrindo as gavetas percebi que havia uma foto, mais uma surpresa, era do sujeito que entrou no cinema com sua esposa, atrás havia apenas uma sigla em quatro letras “I.K.I.T”. Ouvi barulho de alguém se aproximando do quarto, sai rapidamente pela janela e fiquei no parapeito, quando entram o Sr. e Sra. Reynolds, percebi que discutiam algo banal, quando derrepente há um silêncio e claramente se houve um barulho de disparo, espero alguns segundos e entro no quarto, contudo não a mancha de sangue nem mesmo um corpo,  resolvo sair dai e ir para meu escritório, chegando lá tomo um gole da vodka barata que fica na minha escrivaninha,  sentando na cadeira tentando compreender o que havia acontecido naquele dia, com fortes dores de cabeça ouço passos e alguém joga um bilhete por baixo da porta, vou correndo para ver quem o fez, O corredor está vazio, pego o bilhete e abro, esta uma carta simples de algumas poucas páginas que diz:

“Caro Sr. Rodriguez
Qualquer som das batidas do relógio devem ser silenciados, a cidade toda parará, então você saberá o lugar certo na hora errada”.  Isso se dará daqui uma semana, esteja pronto.
Att.
Seu amigo.

Fiquei perplexo pensando no que aquilo quereria dizer, minha vida parecia chiste barato, Resolvi tirar um pequeno cochilo no sofá velho do meu cubículo que tento chamar de meu escritório.

Acordo exaltado, dormi quase duas horas, já era noite la fora, resolvi ir no bar do joe’s tomar um copo de café e pensar sobre o caso. As peças não se encaixavam, tudo parecia ser demasiadamente confuso para min, corpos, cartas, tiros, nenhuma prova, eu poderia ir atrás disso, ou poderia ficar quieto na minha com a grana que eu recebi poderia passar alguns  meses tranqüilos, até mesmo tirar umas pequenas férias merecidas, Idiota, como eu não me conhecesse, a vida pacata é muito pouco para min, eu precisava de tudo ou nada, por isso me encontro neste buraco, que posso fazer, vou dar umas ligações talvez eu encontre algo, não antes do meu café. Enquanto tomava umas xícaras do liquido escuro com umas gotas de whisky barato, escuto uma conversa ao fundo de dois jovens desmiolados , conversavam sobre o jornal final do campeonato de baseball onde o time da cidade o X. Enfrentaria o time Y. , Joe, dono do lugar com seu mesmo nome disse-me se eu me inteirava na partida, eu disse-lhe que nada mais podia me interessar menos do que um jogo de baseball, preferia ler um livro sobre algum pederasta Frances a assistir uma partida de baseball, ele riu, disse que as apostas estavam em alta, tinha jogado 10 contra o time local,  falou sobre os jogadores, etc, etc, já estava me aborrecendo com este papo, contudo ao me dizer que daqui uma semana ele não iria abrir para poder ir ao estádio ver o jogo tive um relapso , perguntei de forma ansioso quando seria a final, ele disse-me ser daqui a um pouco mais de uma semana, no outro domingo, Assim que ele me disse isso tirei imediatamente a carta no bolso e compreendi o que ela queria dizer, neste dia da final toda a cidade iria assistir a este jogo, as ruas estariam vazias. O relógio da carta só pode ser o da estação central, era minha chance de compreender o caso, ao menos uma parte, tirei do bolso uma nota de 5 e paguei, ele disse que o café custava apenas 50cents, eu disse que se eu fosse parar no hospital ele me comprasse flores e uma caixa de bombom.

Agora não havia muito que fazer, resolvi ir para casa descansar, ao chegar atirei o paletó na cama, fui tomei uma ducha, tentei ler um pouco, mas estava muito cansado e dormi por algumas horas, contudo quando já passava das duas da manhã ela liga. “John, John, você está ai? Quem fala e Madalene, tenho recebido suas mensagens, suas ligações, não quero mais nada com você, não compreende? O que tivemos já passou, eu estive ao seu lado, mais você me trocou por seu trabalho e sua melancolia, poderíamos estar morando juntos, agora não mais, eu já não te amo, me esqueça, pare de beber e de me ligar por favor.” Eu disse apenas um sim e desliguei. Eu amava-a, talvez não chegasse a amar outra, ou de outra forma talvez, porém aquilo tinha acabado, não sei quanto whiskys , trabalhos e noites mal dormidas eu iria ainda precisar para esquece-lá, porém devia ser homem, ao menos uma vez na vida.

Os dias seguintes passaram rápido, eu ainda tentei fazer vigia em frente da casa dos Reynolds, contudo percebi que eles não saíram de casa nesse tempo todo, ainda que tenha recebido algumas pessoas.

Perto de começar o jogo me arrumei, estava um dia estranhamente frio, coloquei meu sobretudo bege e sai. Dirigi até estação central, esperei que faltassem apenas alguns minutos para iniciar a partida e entrei, fui em direção a torre do relógio, realmente a estação se encontrava vazia, do outro lado da avenida os bares estavam cheios de pessoas, resolvi me espreitar em algum lugar que não fosse tão visível, observei por algum tempo, quando por um estante vejo o Homem que entrou no cinema com a Sra. Reynalds acompanhada do próprio Sr. Reynalds, achei aquilo tudo uma tremenda confusão, que poderia ser isso?  Nunca havia presenciado tantas reviravoltas em um caso, nem mesmo quando pediram para espionar o dono de uma industrial de carrosséis. Em um estante sinto uma pancada na nuca e apago...

Encontro-me na cúpula do relógio, amarrado, Tento me desvencilhar mas é impossível, Uma a voz fala comigo “É seu patife, você não recebeu o recado de minha esposa, eu disse para que larga-se o caso, mas não, você não ouviu, pegasse o dinheiro e sumisse, mas sempre bisbilhotando, sua raça é uma das piores, detetives!”. Sei, eu também acho odiosa minha profissão, mas quem é ele para dizer alguma coisa. Argumentei dizendo que havia recebido uma carta, é não sabia de nada que estava ocorrendo, usei das minhas aulas de retórica que aprendi na universidade, uma das poucas coisas. Ele disse que já era tarde para demonstrar qualquer tipo de atitude de clemência, que eu havia visto muito é que agora iria subitamente cair daqui de cima em um ato de suicídio, dado pelas dividas e alcoolismo, Malditas pessoas jogando meus problemas nas piores horas.  Contudo esse panaca e seus capangas poderiam fazer muitas coisas, menos dar um maldito nó nessas cordas, enquanto ele falava estas asneiras percebi por uma sorte tremenda que consegui atar a corda, porém ele continuava apontando a arma em minha direção, quando percebi que hoje não era lá um dia de tão má sorte apesar de estar a poucos metros de uma morte anunciada, meu sobretudo por acaso tinha uma pequena pistola que sem perceber havia esquecido em um dos bolsos, fiz algo que aprendemos desde criança para sacanear as outras e fazer algo cômico, nesse caso mais trágico, olhei com surpresa e disse “O que é isso passando atrás de você”, quando ele virou para observar, eu tirei a arma do  casaco e apontei para ele. “Seu facínora, te peguei, como você mesmo disse não tenho muito motivos para estar aqui , morto ou em uma prisão, solte sua arma e vamos conversar”, Ele olhou atônito para min e riu, colocou calmamente a arma no chão e disse que estava tudo bem.
                Comecei perguntando o que se tratava tudo isso, essa carta, o sujeito, o corpo e o barulho de disparo em sua mansão, Ele disse que eu era um péssimo detetive, tantas provas é já saberia muita coisa, talvez ser aclamado na cidade como herói contra corruptos, enquanto ele falava isso o amigo de sua esposa subiu e ao ver ele naquela situação soltou um disparo contra ele e saiu correndo, tentei correr até a portinhola da saída, porém ele já sumira pelas escadarias, fui ver o Sr. Reynalds, ele já se encontrava morto, resolvi sair dali , o caminhão de lixo cheirava melhor do que tudo isso.

Resolvi tomar um trago para por meus nervos nos lugares, pelas ruas as pessoas tinham epifanias de alegria, o time local havia vencido o jogo e todos estavam em frenesi sem tamanho, bares lotados, um homem não pode matar sua vida em um copo em certos dias, por sorte tinha ainda meio litro de Scott no meu escritório. Tomei um gole profundo a chegar, fiquei apontando a arma para o teto pensando no que poderia ser aquilo tudo, em quinze  dias, dois corpos, um disparo, um dos principais empreiteiros da região sul morto, que estava ocorrendo afinal, eu devia realmente dar o fora disso tudo, que se dane, tenho minha honra de profissão, mas também minha esperteza. Contudo essa sensatez durou muito pouco, logo o destino me pregou outra peça, policias batendo na porta, fui abrir, era o Delegado Costagravas com seu eterno puxa saco, o policial Augustin, “O que vocês dois querem aqui, não posso tomar um trago e odiar esta cidade por algumas horas?” , “Olhe seu bastardo, nós percebemos que estava junto ao corpo a duas semanas atrás, do morto na avenida central, agora viram você saindo do local onde um dos maiores bem-feitores da cidade o Sr. Reynald, se encontra morto,  quero saber o que afinal esta acontecendo aqui, você esta escondendo algo, melhor ir dizendo logo tudo, o prefeito e sua cúpula estão furiosos, é melhor falar comigo caso não queira perder o pouco de honra que você tem.”. Ofereci um trago para ambos, e comecei falando desde quando fui contratado a cerca de um mês, falei que era simplesmente para seguir sua esposa, e depois os engodos que fui me metendo. Passado alguns minutos contando minha historinha,  disse que era a vez deles soltarem alguma. O Delegado grego disse-me que o morto era na verdade um zé-ninguém, talvez um laranja pego por acaso, que estava por algum tipo de ética cristã querendo abrir a boca sobre a podridão de certos contatos do Sr. Reynald com gente graúda para conseguir contratos, já sobre o outro ele disse não saber de quem se tratava, eu por sorte havia  pego uma foto e entrego a ele, ele viu o sujeito e se assustou, disse-me se tratar de um dos maiores contrabandistas de toda costa sul, o canalha se chamava Arnold “Casanova” Chapman, dizem que era uma espécie de Jay Gatsby , só que dos barras pesadas, ele poderia estar tendo um caso com agora viúva Sra. Reynalds, porém não tinha muito o que falar sobre isso, eu devia sair do caminho e não interferir em assuntos de pessoas “sérias”, Como esses pintinhos fardados fossem alguma coisa séria, séria para escrever piadas talvez. Disse ok e que ia tirar umas férias por um tempo fora da cidade, estava mesmo cansado disso tudo. Se despediam, não antes de contar aquela do policial que fala para loira de-me sua identidade, ela pergunta, o que é, ele diz , é algo retangular, ela tira um espelho e entrega pro policial, ele olha e diz , Não sabia que também era policial. Eles riem , o grego diz “John melhor se cuidar, não quer estar em cenas de crime e não ter nem uma pequena para te visitar na prisão”. Era um patifes como todos os fardados.

Esta história toda de sair da cidade é uma furada, eu tinha assuntos pendentes para resolver, a primeira coisa que iria fazer e ir no dia seguinte no arquivo público fazer uma pequena vistoria se encontrava algo sobre estes sujeitos. Esta noite já, uma longa noite, tomei alguns bons tragos para esquecer um pouco tudo aquilo, dei uma baforada em um dos meus melhores charutos no ar, fazendo um coração, que por certo acaso se partiu bem no meio.
No dia seguinte fui ao arquivo como planejado, lá fiz o levantamento sobre todas as pessoas envolvidas no caso. Descobri o endereço do tal “Casanova” Chapman, organizei alguma informações e fui a seu endereço montar guarda, morava estranhamente em um dos melhores bairros da cidade, contudo sua casa parecia uma mansão mal-assombrada. Após algumas horas vejo alguém saindo , quando lho bem vejo que é o mesmo carro do outro dia que jogou o cadavar pela porta, para minha surpresa maior a Sra. Reynalds estava nele, segui-o, quando vejo estamos no cemitério de Santo Carlos na zona campestre da cidade. Eles estão indo para o enterro do panaca do Reynalds, Seu assassino e sua esposa que o passava para trás, bem Hamletiano, com a diferença que com sorte um fantasma apareceria para ele contanto todo o caso, comigo são apenas tiras querendo que eu saia do caso. Espero o enterro acabar e volto para meu carro, vejo que eles novamente entram no veiculo e saem em disparada, sigo-os, quando vejo estão na Marina da cidade, sobem em um navio , resolvo novamente de forma estúpida subir de forma furtiva na embarcação. Quando chego lá encontro uma reunião de magnatas, políticos, entre eles o Senador Cussac e o prefeito Mayer.  Pensando que tudo era muito maior que podia imaginar, um dos marinheiros do iate me acerta, contudo desta vez seguro as ondas, dou um jab direto no seu lindo queixo de cozinheiro de mariscos , fazendo ele desmaiar, aproveito a situação, amarro ele no banheiro interno , aproveito e troco roupa com ele, me sinto um pouco engraçado, mas agora tudo será assim.
Todos outros estão bebendo, fumando e rindo muito, enquanto aqui dentro no convés uma turba de negros e latinos cozinhavam sem parar, ou serviam seus virtuosos governantes e patrões.  Resolvi me disfarçar no ambiente e escutar furtivamente a conversa, não escutando nada mais do que umas piadas baratas resolvo investigar o resto do barco, entro em um pequeno escritório, onde remexendo a papelada descubro ser o barco do Chapman , ainda melhor vejo a arma que deve ser a do disparo, muitos arquivos, penso que é o momento de ligar para os tiras, eles que resolvam o resto, falo com o Tenente  Grego, informo o que aconteceu, após dizer algumas palavras bonitas sobre minha pessoa , minha mãe e meu traseiro, ele aparece com algumas viaturas, eu sabia que aquilo não ia dar em nada, políticos, mafiosos, e os piores, as femme fatales.  Alguém pode me perguntar, então porque eu chamei eles, os tiras, peixes pequenos perto dos graúdos que se encontravam no barco. Ora, tempos negros, caça as bruxas, descubro que Chapman é na verdade Ionescus Kazinski Ivanoviovitch Tarkovisky, um espião russo que apaga todos os ex-empresários que financiaram Stalin na II Guerra Mundial, depois que os traíram cortando os subsídios e denunciando os planos militares para o governo americano.  Só penso como um idiota deixa estes arquivos jogados em uma simples gaveta, as histórias do Mundo e das vidas de multidões são apenas pequenas folhas amarelas em gavetas mal arrumadas.
Os Tiras invadem a embarcação, com os federais após meu chamado.No final após mostrar os documentos para o Tenente Grego, ele chama imediatamente os federais, e claro, os jornalistas, todos vão presos, descubro então que a Sra. Reynalds na verdade é uma ex vedete russa, Sabrina Vaniaia Krataniskaia, mandada nos anos 30 para o Estados Unidos, com identidade falsa para fazer um ricaço se apaixonar por ela e poder subverter-lo e ajudar a causa Russa, contudo após o fim da Segunda Guerra e a perseguição McCharthy, sendo seu marido um fantoche soviético, resolve declarar patriotismo e cancelar os negócios, Ionescu Tarkovisky foi mandado para matar Sabrina Karaniskaia , contudo logo se apaixona por ela, tramando um jeito de matar seu marido, eles tentam me envolver nisso tudo, como boa espiã, sabia que seu marido havia contratado alguém para perseguir-me, ela arma o encontro na estação central, como outras ações, matando seu marido e me incriminando, um detetive falido atrás de grana para sobreviver, ela poderia além de se casar com seu “Casanova” , ainda ficaria com toda a fortuna do seu marido trouxa. Continuando as ações com moscou. Contudo eles pensavam que eu era mais um americano estúpido. Talvez eu seja estúpido, mas sou dos especiais, daqueles que só se encontram em romances de Hemingway lutando por uma república na Espanha.
A prisão dos espiões se torna notícia por toda América, as informações contudo dos políticos fica panos quentes, Por acaso o Sr. Reynald como o Senador Cusac e o Prefeito Mayer são grandes financiadores do presidente Truman.  Assim continua a grande história da América, comunistas comem crianças, os nossos políticos os deixam morrer de rir. Eu resolvo dar umas férias forçadas, vou para o México tomar tequila e gastar toda minha grana, afinal um bom detetive não pode ter muito para o próximo mês, caso contrário ele pode querer escolher os melhores casos.

FIM.