sexta-feira, 2 de novembro de 2012


O cortar das hélices no ar morno da primavera faz ao homem um sentido brusco de sua solidão, um tédio corriqueiro, demasiado talvez. Não há homem que não esteja só, a tudo alucinações, a tudo amores platônicos, amores que se possuem e se despreza. Ao desejo de ser rejeitado cria-se poemas, a permanência cria-se filhos e a compactuação diletante do tédio completo na noite vermelha do enfado universal e tropical.

               
Tédio
                Escorre
                                               Amor Bruto
Se perde
                               Na pior noite
No melhor dia

Amor
                Persona
Non Grata
Quem quer amor
                Quem quer amar?
O sexo delimita tudo?
                É preciso do que afinal?
               

                Quem quer falar?

                               FALAR FALAR FALAR
                               FALAR OUVIR FALAR
                               FALAR FALAR FALAR
                              
                               NADA FALO FALO FALO FALO FALO FALO NADA
                               NADA FALO FALO FALO SEXO FALO FALO NADA
                               NADA FALO FALO FALO FALO FALO FALO NADA
                               

In einem Jahr mit 13 Monden



Nesta película, Rainer Werner Fassbinder faz uma Ode se é possível, a falta de vigor, ao desespero e a morte. Tudo se relativiza , o eu, a família, a pátria até mesmo o amor.

O filme tem uma linearidade que se põe no fluxo de mostrar o personagem, sua vida, o local em que vive, superficialmente. Vemos de inicio um pobre transexual, como tantos marginalizados. Contudo, ao tempo o diretor vai adentrando no personagem, e adentrando na própria existência humana.

Vemos no inicio a história de Elvira/Erwin(Volker Spengler). Seu passado comum de um Alemão do pós-guerra, que vai a escola, arruma uma profissão, se apaixona, casa-se tem um filho . Contudo aqui a história parece se desconstruir do comum, assim como um Kafka que escreve um ser preso em si em um mundo medíocre e ilógico, Fassbinder debate-se o homem e suas construções sexuais, políticas, materiais, filosóficas.

Após o diálogo que ocorre em um matadouro de um frigorifico, onde é mostrado o abate de vacas, sendo degolado e o sangue jorrando pelo chão sujo enquanto o personagem até então um simples travesti, sem força e potência de existência aparente conta sua história. De que era um açougueiro, de que amou e teve uma filha, mais que por um amor largou tudo e fez uma operação de sexo, retirando o pênis.

O filme vai se encaminhando não obstante, do personagem e seu inconsciente. A cena de uma televisão ligada passando o discurso de Augustin Pinochet em 1978, uma cena de amor possivelmente francesa e uma cena do próprio Erwin/Elvira no seu quarto com seu amante da uma mudança substancial. Os personagens agora vão se encontrar em um quarto, luzes de vela, um homem em um espelho fosco como uma maquina levanta supinos, uma outra persona começa a falar sobre a vida, sobre a loucura, como não há saída, como estamos presos em corpos que nada significam, diferentemente do pensamento de que o corpo é a expressão da alma.

Em seguida o personagem vai a um convento conversar com uma freira, ela conta o passado de Elvira/Erwin. Foi tido por um descuido da mãe, o pai tão pouco queria saber do filho que foi jogado em um orfanato, lá ele descobriu a mentira, os jogos entre os homens, as máscaras necessárias para a sobrevivência. Poderia não apenas ser um convento de órfãos, mais uma escola comum onde dezenas de milhares de crianças foram todos os dias se tornarem cidadãos. Estas famílias podem ser também até mesmo as de “boa índole”, que transformam o animar em homem através da cultura parafraseando Immanuel Kant.  Este diálogo e tenso, carregado, aqui os personagens estão adentrando na superfície, na história conhecida, naquilo que conversamos e contamos diariamente em nossas vidas para amigos , familiares. Há uma ruptura no ritmo, agora o filme começa a apresentar um debate filosófico e político maior.

A peregrinação continua, Elvira/Erwin vai a um prédio conversar com sujeito chamado Anton Saitz [Gottfried John]. Um grande capitalista de Frankfurt. A conversa é sobre uma entrevista que ela deu em uma revista contando seu passado, sobre seu amor por ele, como ele construiu seu patrimônio de forma ilícita, etc. Entrando no prédio temos uma mudança, agora como entrando em um campo de divagações em que cada corredor e  sala representasse alguma coisa, medo –cena do tiroteio - , o humor ou inveja ou egoísmo – mulher rindo na fresta da porta – que faz lembrar muito o processo de Kafka .

Enquanto ela sobre este prédio, ela para em um andar abandonado, numa saleta ela em um canto vê um homem entrar, preparar uma corda, amarrar em uma viga, ela pergunta “você vai se suicidar?” Calmamente o personagem explica que o mundo e uma formatação do destino em que pese a miséria, a angustia e a morte, a vida é uma impotência, um julgamento final. Suicidar-se é uma potência frente a vida, não porque foge das dores e angustias, mais porque nega o prazer, nega como se deve dar a existência da vida, logo supera o destino. Isso não significa a vontade de viver. É um trecho realmente forte em que pede uma analise profunda do caminho da vida, o sentido e a moral ocidental.  Camus, Sartre, Sabato, os fenomenologistas, todos tentaram compreender ou dar uma resposta a esse “mito de sísifo” como escreve Camus, nada parece ser possível; Para Bergman é o amor, que é uma construa, que é o que o personagem Erwin/Elvira pede “só pedi um sorriso diário”. Tudo se desfalece, tudo é uma vontade necessária.

O personagem continua subindo o edifício e finalmente chega ao andar de Anton Saitz, o homem que ela busca para suas respostas e indagações. Nesta saleta ela trava relações um segurança,e em várias salas, que diametralmente dão uma sensação de vertigem, de aprofundamento na mente humana. Ela finalmente está a frente com Saitz, o seu grande amor , indivíduo. Este relembra uma dança infantil. Seu passado em comum, quando jovens trabalharam juntos, Elvira/Erwin se apaixona por ele mais nunca disse diretamente.  Eles vão para sua casa; Lá ele encontra sua companheira prostituta dormindo na cama, Saitz começa a se relacionar sexualmente com ela, Elvira que estava na cozinha preparando o café se sente atordoada, sai à rua; Procura sua família, sua ex-mulher e filha, quer reconstruir um laço familiar, um escape, a solidão é terrível, o engodo; Estas o renegam “já é muito tarde”. Procura então um casal de amigos, um psicólogo que subindo uma escada decanta a história contemporânea da Alemanha, os traumas da divisão, uma metáfora onde todos estão errados, todos foram culpados pelo nazismo e pelo comunismo, ninguém possui salvação, todos são homens afinal. Eles também após se encontrarem com Elvira/Erwin na entrada de sua casa negam ajuda, “amanhã preciso acordar cedo para dirigir”; Um toca disco soa  as memórias de Elvira/Erwin, uma consulta com o Psicólogo “A felicidade não existe, só a busca, e é isso que é excitante”. “Se Fosse Adenauer libertaria os prisioneiros em Moscou”, sobre os prisioneiros alemães presos pela URSS durante a guerra que foram trancafiados nos Gulags até a morte de Stalin em 1956, poucos saíram com vida. Aquela ela admite sua fragilidade, seu amor fátuo, de como viveu pelos outros e nunca por ela mesmo. A potência que não significa viver, e sim morrer. É isso que ocorre no fim do filme. Como se não houvesse volta, como desde o começo soubéssemos que é a única escapatória, em um mundo opressivo e sujo como em um romance de Franz Kafka. A morte é a liberação final e necessária. A dignidade humana.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Monkey Gone to Heaven II


A prateleira estava repleta de discos; Do teto ao piso haviam milhares de compactos, lps, fitas e outros mecanismos de memória humana.  J.K. reuniu alguns, esta noite iria realizar uma festa na casa de um amigo, o G. ; Colocou na bolsa os discos Moon Safari do Air ,  Young Team , Mogway, Hormogenic Björk; Colocou dois livros de poesia, um litro de vinho chileno que havia guardado, dois maços de cigarro importado, maconha. Saiu.

Nessa noite nada podia importar muito, o clima estava resfriado, nada que incomodasse muito. A casa de G. não era muito longe de sua casa mais teria que esperar uma condução; Fumou dois cigarros enquanto esperava o ônibus, em trinta minutos estava na casa de seu amigo.

Já estavam algumas pessoas, bebiam desenfreadamente, fumavam e ouviam rock pesado, todos queriam viver como se fosse a última noite possível. Antes de dizer qualquer saudação retirou o vinho a bolsa, e começou a se aturdir com a situação. Naquele momento único que duraria algumas horas, uma epifánia deslocando-se brutalmente no tempo.

Conversavam, se drogavam, o mundo se cumpria, os desejos e sonhos se expandiam, com a sensação do arrocho, da perda.  O universo em desintegração atômica não interessa, as morais, os valores. A convivência se faz pelo riso, oposto do medo. A comedia é o desnudamento, todos estavam nus desde há muito. Sobrava rastros de uma época perdida.

[pausa]

Pixies, Metálica, Kant e Voltaire.

[pausa]

Pensamento: Delírio da solidão compartida. A força que esvai. Quer busque alguma utopia se mesmo a distopia há desanimo. Somos a pior geração desde quiçá o protestantismo. Não queremos nada e não damos nada. Consumimos pétalas em vestidos azuis, o tabuleiro e o talude da consciência conscienciosa.

Devastação do tédio , álcool embrutecidos. Sexos ativos, peitos e bundas, peitos e bundas, peitos e bundas e barrigas e narizes, e  tédio. ZIIIiiIXIXIXIXizizzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz.......


Este macaco vai para o céu.

Monkey Gone to Heaven I

 Este macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céuEste macaco vai para o céu

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Bonsai

Vou podando meu bonsai de forma precisa ou desconcertante enquanto atravesso a ilhota pelo atlântico sul azul de capa azul.

Subo o talude do continente, ou planalto ou continente, ou américa do sul, o livro continua com capa azul.

O sol fecha-se no escuro, no noturno, a letra é noturna; o livro.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012


Os armênios estão queimando;

A bomba explode na área norte de Erevan, fumaça cinza com estilhaços voam sobre os Cáucaso ao longe em rodopio.  O exercito verdes fusco marcha e explode. Não há homens em pé, todos correm.

A neve cai sobre o Cáucaso, Erevan não verá mais a Orquestra Nacional tocando Beethoven com aqueles 10 violinistas que já estão indo a campos jogados com  suas harpas pré diluvianas. Destruídos pelo pé amassado na violência desconcertante do erro que é a história dos homens.

A neve continua a cair sobre o fogo, sobre o sangue duro, sobre as ruas de pés pré-românicos. Arcabouço da morte, arcabouço da gênese destruidora e conquistadora. Cai a arca e não se ouvem mais Beethoven por alguns milhões de espíritos que se rejubilaram pelo amor que possuem.

terça-feira, 5 de junho de 2012

O conto perdido de Borges


O conto perdido de Borges

Prefácio dos caminhos que se bifurcam , se encontram ou contratam advogados para divisões de bens.

Nota do Editor:
Este conto Borgeano de pouco mais de uma página é sobre Makulêlitê e a independência teatral de Uganda do sul, ou do norte, ou os dois ao mesmo tempo dependendo da hora do dia. Foi escrito em Buenos Aires no verão de 1975. Contudo como ele estava sofrendo de cegueira, deixou cair seu leite achocolatado predileto em cima dos manuscritos e por isso pensou a vida toda que fosse na verdade estas folhas fossem uma bíblia marrom unidimensional que é infinita e nunca acaba apesar de ele ter certeza que acabasse. Se por ação algum personagem ou local tiver alguma relação com a vida real, e particularmente com a mulher do leitor, é melhor você perguntar agora para ela o que ela estava fazendo em plena áfrica subsaariana entre às 9 e as 12 horas.


O Rei Makulêlitê convoca todos os dozes chefes de tribos de Uganda mais o Sr. Woo dono da Lavanderia, para combater os colonialistas Britânicos ou Ingleses, ou o que vier primeiro. Ele diz que todos devem agir normalmente pelas ruas e campos, contudo na hora do chá das cinco quando os soldados se prepararem para tomá-lo. Os habitantes devem começar a cantar O II ato das Walkyrias de Wagner, Os ingleses não aceitaram tal atitude grotesca dos habitantes e resolveram abandonar o país e então seremos livres!
                Aqui aparece Vatikâta, chefe de umas das tribos e pergunta que caso o plano de errado os ingleses ficaram revoltados e nos atacaram fortemente destruindo nossos parquinhos de diversão. Makulêlitê então age fortemente e diz que caso o plano não de certo, é melhor começarem a ensaiar o plano dois, que é dançar salsa e merengue deixando os ingleses atordoados. Afinal a dança tem paços infinitos que se encontram ou com o pé ou com outro passo e assim sucessivamente como O baile anual de dança de da Babilônia.
                Tudo então foi orquestrado para que nada ocorresse fora do previsto, contudo Vatikâta havia feito um acordo secreto com o inglês General Ian Shitrey que dominava todos os domínios inomináveis do gabão, Uganda e qualquer outro país que aceitasse credito ou debito. Nessa troca o General Shitrey ofereceu para o traidor Vatikâta a coleção completa dos discos dos Beatles e uma passagem sem volta para as ilhas Samoa para sua cinco esposas que gastavam toda sua produção de cacau em roupas de Grife.
                Chegou-se então o dia, como era esperado às cinco horas em ponto os soldados britânicos iam tomar seu chá quando em segundos eles colocam fones de ouvidos e começam a perseguir qualquer cidadão que tivesse um violino afinado ou uma mulher muito chata para ouvir Wagner. O plano falhará é o Rei de toda Uganda Makulête fora preso. Dias depois no quartel dos colonos ingleses na cidade de Mbale ele foi posto no paredão de fuzilamento, de olhos fechados pediu a Deus qual o sentido de sua existência da terra. Ouviu os disparos, quanto o tempo parou, e Deus veio até ele e mostrou o porque havia vivido estes anos todos a frente do seu povo, ele viu a casa e o carro que havia comprado, além da casa de praia na Guine Equatorial, também viu a fatura do fim do mês, então percebeu que na verdade essa fatura se repetia infinitamente, é que todo mês ele devia pagar, e pagando ele então compreendeu o sentido da existência humana, agradeceu a Deus, que disse que lhe enviaria o resto do curso de como morrer e viver eternamente bem com as contas em dia pelo correio celestial”.

[O resto da história como dito a cima está borrada com achocolatado tipo baunilha mais aqui possivelmente termina a história, ou talvez ela não tenha começado, ou talvez você não existe e isso só sirva para uma tese de doutorado que também não existe em uma academia que não existe em um plano real onde Deus é dançarino profissional na televisão aos domingos].